sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O rivotril nosso de cada dia – As manchetes douradas que nos embalam ilusões

Por Jansen Leiros Jr.

                O Brasil oscila nos índices — e se entusiasma nas manchetes. Mas desenvolvimento não nasce de variações; nasce de estrutura.

                Há algo curioso na cobertura econômica brasileira: a sensação recorrente de que estamos sempre à beira de uma virada estrutural — pelo menos nas manchetes.

“Inflação do aluguel cai.”
“Balança comercial fecha no azul.”
“Indicadores surpreendem positivamente.”
“Mercado melhora projeções.”

                O país parece viver ciclos semanais de euforia estatística. Um comprimido diário de alívio coletivo. Um rivotril informativo que reduz a ansiedade sem necessariamente tratar a causa.

                Mas o problema não está nos números. Está na moldura.

                Tomemos dois exemplos recentes e recorrentes.

                Quando se noticia que a “inflação do aluguel cai”, o dado é tecnicamente correto. O IGP-M recuou 0,73% no mês. Manchete legítima. Mas o que isso significa, na prática?

                O IGP-M é um dos indexadores usados para reajuste de contratos de aluguel — não é o valor do aluguel em si. A queda mensal não significa redução nominal do que o inquilino paga. Significa, no máximo, que o reajuste futuro pode ser menor — e apenas no aniversário contratual. Além disso, o recuo foi puxado majoritariamente pelo IPA (atacado), influenciado por commodities como minério de ferro, soja e café. O IPC, que reflete mais diretamente o consumo das famílias, continuou positivo.

                Não houve barateamento estrutural do custo de vida. Houve oscilação técnica de índice. Mas a chamada produz sensação de alívio imediato. É um enquadramento emocionalmente eficaz.

                O mesmo ocorre quando se anuncia que a “balança comercial fecha no azul”. Superávit comercial é, em tese, sinal positivo. Exportar mais do que importar indica entrada líquida de dólares. A manchete é verdadeira. Mas a composição importa — e importa muito.

                Nos últimos anos, o superávit brasileiro tem sido fortemente concentrado em commodities primárias: soja, minério de ferro, petróleo bruto, café, carne. Setores relevantes, sem dúvida, mas com características estruturais específicas: alta mecanização, baixa geração proporcional de emprego, reduzida agregação de valor tecnológico e forte dependência de ciclos externos. Enquanto isso, seguimos importando semicondutores, máquinas industriais, equipamentos médicos, tecnologia de ponta e insumos químicos sofisticados.

                O resultado é paradoxal: podemos registrar superávit externo e, simultaneamente, conviver com desindustrialização relativa e perda de densidade tecnológica.

                Essa dinâmica não é nova. Desde o período colonial, o Brasil opera ciclos de dependência primária: açúcar, ouro, café, borracha, soja, minério. Economistas estruturalistas como Celso Furtado já alertavam, no século XX, para o risco de especialização excessiva em produtos de baixo valor agregado e dependência tecnológica externa. O boom das commodities nos anos 2000 — impulsionado sobretudo pela demanda chinesa — gerou superávits robustos e crescimento acelerado. Mas parte significativa desse desempenho estava ancorada em preços internacionais favoráveis, não necessariamente em ganho de produtividade sistêmica ou complexificação industrial.

                Os números históricos ajudam a compreender o quadro. Na década de 1980, a indústria de transformação respondia por algo próximo de 25% do PIB brasileiro. Nos anos 1990, esse percentual começou a recuar. Nas últimas duas décadas, a participação da indústria no PIB caiu para a faixa de 11% a 13%, dependendo da metodologia considerada. Em outras palavras, enquanto celebramos superávits comerciais, a base industrial — historicamente associada à inovação, geração de empregos qualificados e encadeamentos produtivos complexos — perdeu peso relativo na economia.

                Esse processo dialoga com um fenômeno conhecido na literatura econômica como “doença holandesa”. O conceito surgiu após a descoberta de grandes reservas de gás natural na Holanda, nos anos 1960. A valorização da moeda local, impulsionada pela exportação de recursos naturais, acabou tornando menos competitivos os setores industriais. O país enriquecia com a commodity, mas via sua indústria perder espaço. Em contextos de forte dependência de produtos primários, a abundância pode paradoxalmente enfraquecer a diversificação produtiva.

                O Brasil não reproduz mecanicamente o caso holandês, mas o debate é pertinente. A valorização de commodities pode gerar conforto externo e sensação de prosperidade, enquanto, internamente, a estrutura produtiva se torna mais estreita.

                É aqui que a cobertura econômica ganha relevância. Economia, nas democracias contemporâneas, não é apenas número; é percepção. Expectativas moldam comportamento. Consumidores gastam ou poupam conforme confiança. Investidores expandem ou retraem conforme sinalização. Governos, por sua vez, reforçam narrativas para estabilizar humor econômico.

                Não se trata necessariamente de mentira. Trata-se de ênfase. Quando o dado permite leitura positiva, ela tende a virar manchete. Quando exige explicação técnica, vai para o corpo do texto. E como grande parte da população consome apenas o título, a sensação coletiva passa a ser construída por fragmentos.

                O problema não é celebrar dados positivos. O problema é transformar variação conjuntural em sensação estrutural. Melhora estrutural envolve aumento consistente de produtividade, diversificação da pauta exportadora, redução da dependência tecnológica, avanço educacional sustentado, crescimento real de renda per capita ao longo do tempo e diminuição duradoura de desigualdade. Nada disso se mede por três meses “no azul” ou por um recuo mensal de índice.

                Quando a sociedade passa a se contentar com oscilações como se fossem transformações, cria-se uma anestesia coletiva. O rivotril nosso de cada dia.

                Uma leitura adulta da economia exige composição, não apenas saldo; série histórica, não apenas mês corrente; qualidade do crescimento, não apenas volume; produtividade, não apenas preço internacional favorável.

                E aqui entramos em algo maior do que economia. Entramos no terreno civilizacional. Sociedades se sustentam sobre pilares invisíveis: verdade, profundidade, liberdade e constância. Quando a verdade é fragmentada em chamadas parciais, quando a profundidade cede lugar ao entusiasmo estatístico, quando a liberdade de interpretação é guiada por molduras pré-fabricadas e quando falta constância na análise estrutural, a percepção coletiva começa a se afastar da realidade.

                Economia não é slogan. É estrutura.
                E estrutura não melhora por manchete.

                Quando confundimos oscilações com transformação, superávit pontual com desenvolvimento, índice mensal com prosperidade duradoura, não estamos apenas errando na leitura econômica. Estamos treinando uma cultura a se satisfazer com superfície.

                E civilizações que se acostumam à superfície acabam perdendo o fundamento.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Um Tiro nas Costas da Sociedade – Ou Como Transformar um Trabalhador em Suspeito Apenas por Existir

Imagens da internet

Por Jânsen Leiros Jr.

Ele foi baleado pelas costas. Preso injustamente. Custodiado no hospital. E tudo por um celular que ele não roubou. Um artigo pra quem ainda tem vergonha na cara e para quem espera ainda poder recuperá-la.

Brasil, 2025. A vida de um jovem negro vale menos que um celular. E não é uma hipérbole retórica e nem mesmo uma pergunta. Antes fosse. É a anatomia nua e cruel de uma quase tragédia que vitimou Igor Melo de Carvalho, 32 anos, estudante, garçom, influenciador e, para azar da lógica institucional, brasileiro.

Na madrugada do dia 24 de fevereiro, Igor voltava do trabalho — veja bem, voltava do trabalho — na garupa de uma moto de aplicativo. Uma noite comum na vida de quem rala, como tantos outros milhões que garantem a sobrevivência na marra. Mas para Carlos Alberto de Jesus, policial militar aposentado (como se isso trouxesse alguma credencial para heroísmo improvisado), Igor não era um trabalhador. Era uma ameaça.

Por quê? Porque um celular havia sido roubado. E quem nunca achou razoável atirar nas costas de alguém com base em um palpite, que atire a primeira pedra. Ou melhor: que recarregue a pistola e mire nas costas do próximo trabalhador negro que passar pela rua.

A versão dos fatos é uma aula de distorção moral: o PM reformado confundiu Igor com o suposto ladrão que havia roubado o celular de sua esposa. Em vez de chamar a polícia — aquela com distintivo, viatura e dever de investigar — ele preferiu resolver no faroeste doméstico. Sacou a arma, atirou pelas costas, sem abordagem, sem voz de prisão, sem nem sequer saber quem era a pessoa. Acertou. Literalmente. E Igor perdeu um rim. Teve o estômago perfurado. O intestino afetado. Mas pelo menos o celular da dona ficou a salvo, né?

E o sistema fez o que sabe fazer: piorou. Igor, mesmo ferido, foi algemado no hospital. O mototaxista que só fazia seu trabalho, também. Porque, no Brasil, ser alvejado não basta. É preciso ainda carregar o estigma. O de suspeito, o de culpado até prova em contrário, o de “melhor verificar se não tem passagem”. As câmeras provaram o óbvio: estavam trabalhando. Mas, até lá, já tinham sido privados de liberdade, de dignidade e de presunção de inocência.

Não se trata apenas de abuso. Trata-se de uma estrutura que opera com a convicção de que existe um "perfil de culpado". Um rosto. Uma cor. Uma origem. E que qualquer policial, armado de arrogância e munição, pode ser juiz, júri e executor — sem perguntar nomes.

O policial reformado está solto. Igor, até outro dia, estava sob custódia no leito hospitalar. É disso que estamos falando quando dizemos que há uma guerra racial e social em curso. Só que travestida de "segurança pública".

E a cidadã, a esposa do policial, que apontou Igor como o suposto ladrão? Pediu desculpas? Retratou-se? Foi indiciada por falsa acusação? Ou seguiu a vida como quem perdeu um celular — e, no susto, ajudou a destruir a vida de um inocente? O silêncio dela é o retrato do pacto de indiferença social. Um pacto que naturaliza o “atire primeiro, descubra depois”.

Não podemos seguir normalizando isso, tirando o assunto da frente como quem descarta uma postagem qualquer no celular.

É preciso dizer: um celular vale menos que uma vida. Parece óbvio, mas não é. Porque, a cada dia, mais pessoas se acham no direito de avançar sobre a vida de outras — como o senhor aposentado — demonstrando exatamente o contrário.

Querem segurança? Comecem respeitando a Constituição. Querem justiça? Comecem responsabilizando quem atira antes de perguntar. Querem paz? Parem de criminalizar a existência de quem trabalha, de quem se locomove, de quem vive.

Igor agora se recupera. Ganhou uma oportunidade de trabalho em sua profissão. Recebeu apoio. Ganhou solidariedade — a mesma que o Estado lhe negou. Mas isso basta? Acabou tudo por aqui?

Não. Não enquanto continuar sendo possível atirar pelas costas num inocente — e ainda ser tratado como alguém que apenas "reagiu a um roubo".

Este caso é um divisor de águas. Ou a sociedade reage indignada — de verdade — ou o próximo Igor poderá não sairá do hospital. Irá direto para o cemitério. E aí talvez façam um minuto de silêncio. Só um. Antes de voltarem às suas vidas cotidianas, conferindo se o celular está no bolso.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Rindo da Honra – Crônica de um país que se perdeu

 

Por Jânsen Leiros Jr. 

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a injustiça...” — Rui Barbosa
… e de tanto ver o Brasil ser roubado, começamos a achar graça... da própria desgraça.

Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma operação que descobriu uma das maiores fraudes da história recente do Brasil: 6,5 bilhões de reais desviados em benefícios previdenciários do INSS. Isso mesmo. Seis bilhões e meio. Não é erro de digitação.

Segundo o que foi apurado, servidores públicos e intermediários fraudavam aposentadorias, pensões, auxílios-doença e tudo mais que estivesse ao alcance do braço comprido da corrupção. Usavam documentos falsos, laudos forjados, pessoas mortas, CPFs inexistentes, e até processos judiciais plantados. Um esquema sofisticado, em que o crime se profissionalizou com a mesma eficiência com que o cidadão de bem é humilhado nas filas da Previdência.

Imagine agora o aposentado real, que trabalhou quarenta anos, contribuiu direitinho, e espera três, quatro, cinco meses — ou mais — para ter um benefício de R$ 1.300 liberado. Enquanto isso, fraudadores sacam pensões milionárias com certidões frias e contas quentes. Ninguém sabe quantos beneficiários fantasmas existiram. Mas os bilhões são reais. Muito reais.

Diante disso, o mínimo que podemos sentir é indignação. Mas já estamos tão anestesiados que o máximo que fazemos… é rir. Rir de nervoso, rir de desespero. Rir da honra. Porque neste país, a honestidade virou piada — e a corrupção, rotina.


Há quem se ofenda quando digo que o Brasil é um país de bandidos. Mas, ora, ofendem-se por quê? Porque é mentira… ou porque é verdade demais?

A verdade é que o apetite dos bandidos por dinheiro público neste país tem crescido de forma exponencial — e eles não estão nem disfarçando mais. É quase um esporte nacional.

Vamos lembrar de onde viemos. O primeiro presidente da República a sofrer impeachment caiu por um escândalo envolvendo… uma Fiat Elba. Um carro popular. Um presente indevido. Valor estimado, à época, na casa dos 10 mil dólares. Uma ninharia, perto do que viria depois.

Logo em seguida, o escândalo dos "anões do orçamento". Fraudes em emendas parlamentares, usando laranjas, ONGs fantasmas e dinheiro escorrendo pelo ralo da corrupção. Prejuízo estimado: 100 milhões de dólares. Um salto olímpico no roubo institucionalizado.

Avançando no tempo, tivemos mensalão, petrolão, rachadinhas, pastores com barras de ouro, malas de dinheiro, cuecas abarrotadas, offshores em paraísos fiscais… e agora, a cereja do bolo: fraudes nas contas de aposentados e pensionistas do INSS, com rombo de 6,5 bilhões de reais! Uma aberração contra os que mais precisam, os que menos têm.

A pergunta que ecoa: onde isso vai parar? Ou, talvez, mais importante: quando isso começou a parecer normal?

Como bem disse Rui Barbosa, “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” E é esse riso trágico que ouvimos hoje nos corredores da República.

Porque aqui, quanto maior a fraude, maior o prestígio. Quanto mais você rouba, mais você é respeitado — pelo menos entre seus pares. Porque, para o povo, o que sobra é o corte no remédio, a fila na previdência, a escola sem merenda e o transporte com catraca quebrada.

O Brasil virou um bufê aberto de recursos públicos, onde quem tem fome de desonestidade nunca sai de mãos vazias. E quem ousa denunciar é chamado de radical, de moralista, de ultrapassado.

Mas será mesmo ultrapassado querer um país decente? Será piegas pedir ética e justiça?

O que temos visto não é apenas corrupção. É uma falência moral, institucional e social. E isso não se resolve apenas com novas leis. Resolve-se com vergonha na cara. Com exemplo de cima para baixo. E com uma sociedade que se recuse a rir da própria desgraça, que decida, enfim, se levantar da cadeira da passividade.

O Brasil já teve orgulho. Já teve honra. Já teve heróis — ainda que anônimos. E ainda os tem, espalhados pelo país, sustentando esse chão com trabalho honesto e dignidade silenciosa.

É hora de trazer esses heróis à luz. De recusar o riso fácil diante da imoralidade. De olhar no espelho e recuperar o gosto por ser brasileiro — não pelo futebol, não pelo carnaval, mas pela possibilidade de sermos, de novo, uma nação séria.

É hora de romper o ciclo. De dar nome aos corruptos, de exigir justiça, de erguer a cabeça e não aceitar mais o título de país dos espertos, dos bandidos, dos impunes.

Enquanto isso, seguimos aqui — no rádio, na escrita, na resistência.
Não apenas tentando salvar alguma lucidez, mas plantando esperança lúcida, crítica e firme. Porque rir da honra pode até virar hábito. Mas lutar por ela ainda é o maior ato de amor que se pode oferecer a um país.

sábado, 29 de março de 2025

País do Faz de Conta, ou Onde Todos são Espertos Todos são Otários

Por Jânsen Leiros Jr. 

Vivemos em um país de ilusões bem ensaiadas e de combinação velada. Ninguém admite que fez tal acordo, mas todos sabem que funciona assim. Fazemos de conta que tudo funciona e que há “ordem e progresso”. Mas a verdade é totalmente outra, pois o Brasil tornou-se o retrato mais fiel do 'faz de conta'.

Faz de conta que somos uma democracia, quando na verdade temos um sistema refém de interesses subterrâneos e escusos. Faz de conta que temos um empresariado competente e inovador, quando uma significativa parcela do setor enriquece à sombra de subsídios e favores estatais. Faz de conta que o cidadão é honesto, enquanto sonega o que pode, não faz o que deve, e ainda se orgulha de "dar um jeitinho" e de “desenrolar uma parada”. Faz de conta que o Estado trabalha pelo povo, enquanto legisla em causa própria, apesar das necessidades da nação. O Brasil é o país onde a esperteza impera todos os dias. Mas ao ocaso, o malandro não passa de um otário. Sabotador de si mesmo e do outro.

Vivemos em um ciclo vicioso de desonestidade espalhada, onde o conceito de moralidade se esfarelou diante do relativismo conveniente e personalista. Quem está no poder usa a máquina pública para enriquecer; quem está fora sonha e luta para chegar lá e fazer o mesmo. Os empresários não investem em inovação ou em capacitação de quem pode ampliar sua produtividade. Em vez disso, gasta-se em proximidade com os políticos capazes de garantir privilégios e monopólios protegidos pelo Estado. O cidadão comum, por sua vez, denuncia enfaticamente a corrupção, mas compra produtos piratas, fura filas, aceita troco errado e não vê problema em burlar regras sempre que possível. É um jogo em que todos querem levar vantagem, sem perceber que tal comportamento nos arrasta para um abismo possivelmente sem volta.

Não se constrói uma nação baseada na malandragem. Enquanto continuarmos a cultuar a esperteza em detrimento da integridade, permaneceremos amarrados ao atraso e patinando na lama. A noção de bem coletivo perene foi trocada pelo egoísmo institucionalizado e urgente. O Estado não entrega, a população sonega e as corruptelas nossas de cada dia, resultam em um país que não sai do lugar. Se a regra subliminar é enganar para sobreviver, estamos inevitavelmente condenados a um futuro de mediocridade permanente e irreversível.

O Brasil não será o país com o futuro que sonhamos, enquanto permanecer atolado na desonestidade, conveniência e autoengano. Quem pensa que leva vantagem na esperteza precisa entender: quando todos são espertos, todos são otários. Porque, no final, ninguém ganha, e o que se perde é uma sociedade minimamente viável. O preço da malandragem é a falência moral de uma nação que já não sabe distinguir progresso de decadência, e que sonha chegar ao “céu” mesmo que “abraçada ao capeta”. O Brasil não sairá da lama enquanto insistir na ilusão de que esperteza é sinônimo de vantagem. No fim, o preço é a própria nação.