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sábado, 29 de março de 2025

País do Faz de Conta, ou Onde Todos são Espertos Todos são Otários

Por Jânsen Leiros Jr. 

Vivemos em um país de ilusões bem ensaiadas e de combinação velada. Ninguém admite que fez tal acordo, mas todos sabem que funciona assim. Fazemos de conta que tudo funciona e que há “ordem e progresso”. Mas a verdade é totalmente outra, pois o Brasil tornou-se o retrato mais fiel do 'faz de conta'.

Faz de conta que somos uma democracia, quando na verdade temos um sistema refém de interesses subterrâneos e escusos. Faz de conta que temos um empresariado competente e inovador, quando uma significativa parcela do setor enriquece à sombra de subsídios e favores estatais. Faz de conta que o cidadão é honesto, enquanto sonega o que pode, não faz o que deve, e ainda se orgulha de "dar um jeitinho" e de “desenrolar uma parada”. Faz de conta que o Estado trabalha pelo povo, enquanto legisla em causa própria, apesar das necessidades da nação. O Brasil é o país onde a esperteza impera todos os dias. Mas ao ocaso, o malandro não passa de um otário. Sabotador de si mesmo e do outro.

Vivemos em um ciclo vicioso de desonestidade espalhada, onde o conceito de moralidade se esfarelou diante do relativismo conveniente e personalista. Quem está no poder usa a máquina pública para enriquecer; quem está fora sonha e luta para chegar lá e fazer o mesmo. Os empresários não investem em inovação ou em capacitação de quem pode ampliar sua produtividade. Em vez disso, gasta-se em proximidade com os políticos capazes de garantir privilégios e monopólios protegidos pelo Estado. O cidadão comum, por sua vez, denuncia enfaticamente a corrupção, mas compra produtos piratas, fura filas, aceita troco errado e não vê problema em burlar regras sempre que possível. É um jogo em que todos querem levar vantagem, sem perceber que tal comportamento nos arrasta para um abismo possivelmente sem volta.

Não se constrói uma nação baseada na malandragem. Enquanto continuarmos a cultuar a esperteza em detrimento da integridade, permaneceremos amarrados ao atraso e patinando na lama. A noção de bem coletivo perene foi trocada pelo egoísmo institucionalizado e urgente. O Estado não entrega, a população sonega e as corruptelas nossas de cada dia, resultam em um país que não sai do lugar. Se a regra subliminar é enganar para sobreviver, estamos inevitavelmente condenados a um futuro de mediocridade permanente e irreversível.

O Brasil não será o país com o futuro que sonhamos, enquanto permanecer atolado na desonestidade, conveniência e autoengano. Quem pensa que leva vantagem na esperteza precisa entender: quando todos são espertos, todos são otários. Porque, no final, ninguém ganha, e o que se perde é uma sociedade minimamente viável. O preço da malandragem é a falência moral de uma nação que já não sabe distinguir progresso de decadência, e que sonha chegar ao “céu” mesmo que “abraçada ao capeta”. O Brasil não sairá da lama enquanto insistir na ilusão de que esperteza é sinônimo de vantagem. No fim, o preço é a própria nação.